ALEXANDER SILCHENKOV Projeto sede da Direção da Indústria e Comércio. Maquete, 1928
Notas do Editor e Tradutor
A primeira obra, editada no Ocidente, a tratar, após trinta anos de silêncio e indiferença, da arquitetura russa de vanguarda.
A obra de Vittorio De Feo é citada por todos os historiadores que se dedicaram, após sua iniciativa pioneira, a analisar o fenômeno - gigantesco e vergonhoso vazio da historiografia ocidental - que foi a vanguarda russa e que, em parte, graças à sua corajosa empreitada, é, atualmente, considerada a mais importante contribuição às artes do século XX.
Com emoção e grandeza, Vittorio De Feo retrata a multiplicação incontrolável dos eventos artísticos e culturais que, logo após a revolução bolchevique, invadiriam as praças, ruas, avenidas, carros, bondes e embarcações, nos chamados agit-prop, espalhando-se por todo o país.
O fenômeno, sem paralelo na história da humanidade, transformaria um país fundamentalmente agrário numa potência emergente e, para além dos experimentos estéticos inovadores em todos os campos da arte e arquitetura, lá seriam realizadas as primeiras experiências de industrialização, em larga escala, para a construção de novas cidades.
Tal fato despertaria o interesse imediato dos mais importantes arquitetos e urbanistas do Ocidente que acorreriam para conferir, in loco, estas monumentais realizações e participar dos concursos internacionais lá organizados e, até mesmo, colaborar ativamente como o fizeram Hannes Mayer, Ernest May e Bruno Taut.
Ao romper as fronteiras geográficas, a divulgação das idéias e métodos de ensino do Vkhutemas - instituto que abrigava oito faculdades em sua estrutura físico-pedagógica -, acarretaria, seja através de Malevich ou Lissitzky que deram palestras, publicaram obras e expuseram suas obras na Alemanha seja por meio de Kandinsky ou Moholy Nagy, que lecionaram na Bauhaus aplicando os métodos desenvolvidos no Vkhutemas, no fato, já comprovado pelo historiador Kenneth Frampton, de que, a partir de 1923, graças às correspondências havidas entre Rodchenko e Moholy Nagy, a Bauhaus ficou sob direta influência do Vkhutemas.
Apesar do desfecho trágico das artes e arquitetura soviéticas, com a decretação oficial do fim das vanguardas e a subseqüente imposição do realismo socialista - monstrengo stalinista de inspiração neo-clássica greco-romana, corajosamente narrado por Vittorio De Feo após o silêncio ensurdecedor de trinta anos do establishment e, pasmem, das esquerdas, que também silenciaram apoiando, irresponsavelmente, o que restou de um comunismo degenerado em comuno-fascismo de um dos maiores genocidas da história moderna, haja vista a arte e a arquitetura de idêntico teor ter sido adotada na Alemanha nazi-fascista com o fim da Bauhaus - o legado do período genuinamente comunista acabaria por influenciar e revolucionar, ainda que por via indireta, as artes e a arquitetura do século XX.
Daí a urgência dessa recuperação histórica que, quiçá, venha a ser um passo adiante na gigantesca mas necessária tarefa de reescrever a história das artes e da arquitetura do século XX.
Esta reedição histórica, que preenche outra grave lacuna editorial, no caso, de mais de 40 anos, é absolutamente fidedigna ao texto original de 1963.
Além das imagens originais, totalmente retrabalhadas e ampliadas, acrescentaram-se novas imagens a cores do acervo pessoal do editor e tradutor, num totalmente novo projeto gráfico, nova capa e guardas internas a cores com imagens inéditas enriquecendo e atualizando este valioso registro da história da arquitetura moderna, que teve lugar, nos anos de 1917-1936, na antiga U.R.S.S.
Dirigida a todos os estudantes, arquitetos, historiadores e estudiosos da arte e da arquitetura do século XX.
